O Brazil Effect no Rio de Janeiro é Real!
Sempre achei que o Rio de Janeiro e a Califórnia tinham um match perfeito. Se São Paulo é a nossa Nova York, o Rio deveria ser a nossa San Francisco, certo? Mas a verdade é que, por mais que a gente conheça os dois lados, a expectativa de quem vem de lá é sempre um mistério. E dessa vez, o frio na barriga foi real.
Recebi um casal de amigos que são muito especiais para mim — foram das primeiras pessoas que conheci na minha temporada de 7 anos morando em San Francisco. Eles prometeram vir assim que eu me mudei de volta, e a data não podia ser mais simbólica: o aniversário de 85 anos da minha mãe (que já tinha virado fã deles em 2019, quando nos visitou na Golden Gate).
O cenário era o seguinte: Março de 2026, auge do verão carioca. Minha amiga é alérgica a calor, odeia sol e não é nem um pouco “early bird”. Para completar, eu estava enterrada até o pescoço na produção da festa da minha mãe e simplesmente não tinha tempo para ser guia turística.
Achei que ia dar ruim. Bateu aquele nosso velho “complexo de vira-lata”. Fiquei pensando se eles iam aguentar o mormaço, se iam se sentir seguros, se iam curtir.
Corta para a realidade: Eles ficaram em Ipanema, com aquela vista absurda dos Dois Irmãos. Minha irmã deu uma mão nos passeios e o Rio de Janeiro fez o resto. Entre Bossa Nova, barco, mergulho e o pôr do sol no Arpoador, a mágica aconteceu.
O momento do meu “estalo” foi quando fui encontrá-los em uma roda de samba na Lapa. Cheguei em uma ruela apertada, com calçamento tipo imperial de tão antiga que é e lá estavam os dois: jogados em uma clássica mesinha de plástico na calçada (que era quase mais estreita que a mesa!), relaxados, tomando cerveja e mate. Sem nenhuma pressa, sem aquela ansiedade de quem vive no polo tecnológico do mundo. Só curtindo.

Ali eu percebi o quanto a gente — ou pelo menos eu — não valorizamos a nossa própria vibe. O Brasil e o Rio de Janeiro são sentimento, pertencimento e clima. É muito mais que cartão-postal. Foi uma noite de comida boa, muita bebida e um samba onde eles não conseguiam parar de tentar cantar e dançar. Foi avassalador.
No último almoço, fugindo do calor em um shopping, a ficha deles caiu. Olhando o Cristo pelo vidro, disseram que, de todos os lugares que já viajaram no mundo, o Rio foi a cidade mais bonita. E não só pelo visual, mas por como se sentiram aqui.
Um ponto importante: todos os meus amigos internacionais dizem a mesma coisa. Nenhum deles se sente estressado ou com medo. O Rio de Janeiro tem questões de segurança? Sim. Estar com alguém que conhece o lugar faz diferença? Claro. Mas a gente precisa parar de instituir o medo como regra. Quem vive pilhado com segurança acaba perdendo o Rio por inteiro. Vivo em uma cidade com vocação turística natural – o famoso “moro onde os outros passam férias”, e vou sempre me empenhar em mostrar aos meus amigos o que temos de melhor por aqui: um povo amistoso, descontraído, numa cidade cheia de belezas naturais, históricas, culturais, emoldurada com dias lindos.
Fica o recado: Se você é carioca, aprenda a turistar na sua casa e valorizar esse “pertencimento” que o mundo cobiça. E se você não é daqui, vem logo. Você não vai só ver paisagens; você vai construir memórias que nenhuma foto em redes sociais conseguirá explicar.

Obrigada pela leitura e seja bem-vind@!
Helke
Tour&Natur
Tour&Natur – criada para contarmos aos outros sobre coisas que gostamos!
Nós fazemos as trilhas do Rio de Janeiro há muitos anos e decidimos reunir as informações em ebooks – os nossos eBbookTrails – para ajudar mais pessoas a conhecerem o Rio de um jeito diferente – através das Trilhas!
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